Entrevista de Alexandre Carvalho, CEO da EXS Seguros à Revista Business Portugal
5 de Março, 2026
seguro do recheio da casa
Seguro Multirriscos Recheio: O Que É, O Que Cobre e Como Calcular
21 de Agosto, 2026

A Inteligência Artificial vai substituir o Mediador de Seguros?


Hoje basta escrever num chatbot:

“Qual é o melhor seguro para mim?”

Em poucos segundos surgem explicações, comparações de preços e sugestões de produtos. Os chatbots e simuladores de seguros permitem analisar várias propostas quase instantaneamente.

 

É um enorme avanço para quem procura rapidez e facilidade.

No entanto, estes sistemas trabalham sobretudo com informação padronizada e que esteja disponível. Não conhecem verdadeiramente o contexto pessoal de cada consumidor nem conseguem avaliar todas as variáveis que influenciam uma decisão de proteção.
Podem também não ter acesso a todos os descontos ou benefícios disponíveis a mediadores.

chat, qual o melhor seguro para mim

 

A destacar:

  • A IA serve para organizar e comparar informação, mas não substitui o aconselhamento humano.
  • Contratar seguro apenas por preço (via simuladores/chatbots) acarreta riscos “ocultos”.
  • A tecnologia para agilizar comparações e processos pode ser um primeiro passo interessante, mas não substitui o mediador humano para análise personalizada.

A tecnologia informa, mas não protege

A inteligência artificial é extremamente eficaz a organizar informação.

Mas quando chega o momento de decidir:

  •     qual o capital seguro adequado;
  •     que coberturas fazem realmente sentido;
  •     quais as exclusões mais relevantes;
  •     ou como agir perante um sinistro,

continua a ser necessária uma análise humana.

É precisamente aqui que começa a diferença entre comparar preços e garantir uma proteção adequada.

 

O que a IA já faz (surpreendentemente) bem nos seguros


Comparação de preços em segundos

Nunca foi tão fácil comparar seguros.

Hoje, a inteligência artificial consegue:

  •     comparar propostas em segundos;
  •     responder automaticamente a perguntas frequentes;
  •     acelerar processos de contratação;
  •     prestar apoio permanente através de chatbots.

Estas ferramentas melhoram significativamente a experiência do consumidor e tornam o mercado muito mais acessível.

 

Deteção de fraude e agilização de processos

A IA também está a revolucionar o trabalho interno das seguradoras.

Atualmente é utilizada para:

  •     identificar padrões de fraude;
  •     automatizar validações documentais;
  •     reduzir tempos de resposta;
  •     apoiar a gestão de sinistros.

Tudo isto traduz-se em processos mais rápidos e eficientes.

 

Onde o algoritmo falha — e porque isso lhe pode custar caro

 

O contexto que não cabe num formulário

Dois consumidores podem preencher o mesmo questionário online e, ainda assim, precisar de soluções completamente diferentes.

O perfil de risco depende de fatores como a composição do agregado familiar, o património, a profissão, o estado de saúde ou os objetivos financeiros.

São elementos que dificilmente podem ser totalmente interpretados por um algoritmo.

 

Exclusões e letra pequena: comparar preços não é comparar proteção

Um dos erros mais comuns é escolher o seguro apenas pelo preço.

Contudo, duas apólices semelhantes podem apresentar diferenças significativas nas exclusões da apólice, nos limites de indemnização, nas franquias ou nas condições particulares.

Antes de tomar uma decisão, é importante compreender exatamente o que está — e não está — protegido. Um processo de aconselhamento de seguros ajuda a identificar diferenças entre apólices que dificilmente são percetíveis numa simples pesquisa online.

 

O subseguro silencioso das contratações 100% self-service

Outro risco frequente é o subseguro.

Quando o capital seguro é inferior ao valor real do bem, a indemnização pode ser reduzida proporcionalmente em caso de sinistro.

Este é um erro relativamente comum em contratações totalmente autónomas e que, muitas vezes, apenas é descoberto quando ocorre um sinistro.

 

Os benefícios de uma carteira de mediação

Os mediadores de seguros podem ter preços mais competitivos e descontos, mediante a sua carteira e condições negociadas com cada seguradora, pelo que os valores e as condições apresentadas pelos chatbots podem não ser os mais competitivos.

 

O que a lei portuguesa diz sobre o aconselhamento

 

O dever legal de aconselhamento (Lei n.º 7/2019) só existe com um mediador humano

Em Portugal, a Lei n.º 7/2019, que regula a distribuição de seguros, estabelece deveres específicos de informação e aconselhamento por parte dos mediadores.

Sempre que existe aconselhamento, este deve resultar da análise das necessidades concretas do cliente e ser devidamente fundamentado.

Este dever legal não pode ser assegurado por um chatbot ou por um simples simulador online.

 

A responsabilidade profissional: alguém responde pelo conselho dado

Existe ainda outro aspeto fundamental: quando um mediador presta aconselhamento profissional, existe responsabilidade sobre esse aconselhamento e acompanhamento ao longo de toda a vigência da apólice.

Além disso, em caso de dúvidas, alterações contratuais ou gestão de sinistros, existe um profissional que acompanha o cliente e defende os seus interesses.

Para compreender melhor estas responsabilidades, pode consultar este artigo sobre as obrigações legais do mediador.

 

Combinação de Inteligência Artificial com Toque Humano

O modelo híbrido: tecnologia para comparar, humanos para decidir

A verdadeira evolução do setor não passa por substituir pessoas por algoritmos.

Passa por combinar o melhor dos dois mundos.

 

Como funcionam os mediadores digitais em Portugal

Os mediadores mais inovadores utilizam a tecnologia para comparar propostas rapidamente, automatizar processos e simplificar a comunicação.

Depois acrescentam aquilo que continua a fazer toda a diferença: interpretação, experiência, aconselhamento e acompanhamento personalizado.

É este modelo híbrido que permite comparar seguros com aconselhamento, através de um mediador de seguros que analisa as necessidades específicas de cada cliente e acompanha todo o processo, desde a escolha da apólice até à resolução de um eventual sinistro.

 

O que perguntar a um mediador antes de contratar

Independentemente de contratar online ou presencialmente, vale a pena esclarecer algumas questões:

  •     O capital seguro é suficiente?
  •     Existem exclusões relevantes?
  •     Há períodos de carência?
  •     O seguro adapta-se a alterações futuras da minha situação?
  •     Como funciona o apoio em caso de sinistro?

Estas perguntas ajudam a garantir que a decisão não é tomada apenas com base no preço.

 

 

Perguntas Frequentes 

1. A inteligência artificial pode substituir um mediador de seguros?

Não. A IA é excelente a comparar preços e simular cenários, mas não cumpre o dever legal de aconselhamento, não analisa o contexto individual completo nem acompanha o cliente durante um sinistro.

 

2. Contratar um seguro através de um simulador online é arriscado?

Pode ser, sobretudo em seguros mais complexos. Sem aconselhamento, aumenta a probabilidade de escolher capitais insuficientes, ignorar exclusões importantes ou ficar em situação de sub seguro. Na EXS, tem a possibilidade de simular alguns tipos de seguro online, mas tem sempre a componente de aconselhamento.

 

3. O aconselhamento de um mediador tem custos para o cliente?

Não. A comissão do mediador é paga pela seguradora, permitindo ao cliente beneficiar de aconselhamento especializado sem custos adicionais de mediação.

 

4. Como escolher um bom mediador de seguros em Portugal?

Antes de contratar, confirme se o profissional está registado na ASF – Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, avalie a sua independência face às seguradoras e privilegie profissionais que combinem tecnologia com acompanhamento personalizado ao longo de toda a relação contratual.

 

Conclusão: use a IA para se informar — e um mediador para se proteger

 

A inteligência artificial continuará a transformar profundamente o setor segurador.

Veremos simuladores mais inteligentes, respostas mais rápidas e processos cada vez mais automatizados.

Tudo isso representa uma excelente notícia para os consumidores.

Contudo, quando está em causa proteger a casa, a saúde, o património ou a estabilidade financeira da família, continua a existir uma diferença fundamental entre receber informação e beneficiar de aconselhamento.

A IA consegue explicar opções e acelerar comparações.

Um mediador ajuda a interpretar essas opções, identifica riscos que um formulário dificilmente consegue captar e acompanha o cliente quando realmente precisa: no momento de um sinistro.

Por isso, antes de contratar seguros online, vale a pena combinar a rapidez da tecnologia com o conhecimento de um profissional.

O futuro dos seguros não será uma escolha entre pessoas ou algoritmos.

Será uma colaboração inteligente entre ambos.

Simule aqui!
Rápido e sem compromisso

Por favor, ative o JavaScript no seu navegador para preencher este formulário.
Comunicações

Artigos recentes


Seguro Multirriscos Recheio: O Que É, O Que Cobre e Como Calcular

6 min

Entrevista de Alexandre Carvalho, CEO da EXS Seguros à Revista Business Portugal

Mediadora EXS atinge 1,5 milhões de euros de receita em 26 mil seguros